A tecnologia agilizou tanto a contagem de votos das eleições no Brasil quanto a divulgação dos eleitos, mas também trouxe dúvidas sobre a confiabilidade do processo.
Depois de 20 anos de existência do voto eletrônico, um dos criadores do sistema de segurança, o secretário de Tecnologia de Eleições do TSE, Giuseppe Janino, considera que há evidências suficientes para confiar na urna eletrônica.
Mesmo assim, o ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), oficializou os eventos-teste de segurança da urna que acontecem com especialistas externos, e que passam a ser realizados sempre antes de cada eleição em busca de novas melhorias.
As outras duas edições do evento ocorreram em 2009 e 2012. Na ocasião, participantes descobriram alguns pontos fracos que foram corrigidos logo em seguida. Na primeira edição, quando havia prêmios, o professor Sérgio de Freitas descobriu que o teclado emitia ondas eletromagnéticas que poderiam ser reconhecidas por um receptor de radiofrequência juntamente com o número escolhido.
Giuseppe Janino não considera seu sistema à prova de tudo:
Além do programa criado para criptografar a escolha do eleitor em dados digitais, Janino lista outras barreiras essenciais que impedem alterações na urna. “Tem que romper o lacre, abrir o dispositivo com ferramentas específicas, tirar as tampas, abrir os componentes para então tirar a memória e tentar mudar o sistema”.
Mudanças tecnológicas
Mesmo que a pessoa consiga vencer essas barreiras, o criminoso terá que encontrar brechas no sistema. A comunidade científica tem opiniões divergentes de como diminuir possíveis falhas. Há quem defenda que o código fonte do programa deva ser aberto e disponibilizado para evoluções pela academia e outros grupos de interessados, assim como ocorre com o software livre. Do outro lado, outros especialistas e o próprio TSE preferem manter o código restrito e permitir sua visualização apenas durante os testes públicos.
“Não existe um consenso. Sinceramente, prefiro me apartar dessa discussão e trabalhar sobre o que já foi estabelecido como seguro”, comenta Elizabete Evaldt, que se increveu no evento para explorar vulnerabilidades no teclado e impressora da urna.
A graduanda em Computação faz apenas uma ponderação em relação ao momento de ver o código fonte. Para ela, experiências como o teste público poderiam ocorrer também nos tribunais regionais eleitorais.
“A tecnologia avança e nós precisamos sempre deixar a urna preparada para esse tipo de tecnologia”, comenta o professor da Universidade de Taubaté, Luiz de Almeida. Ele e sua equipe participam da 3ª edição dos testes e querem propor algum mecanismo que impeça que a urna transmita o áudio da votação para um lugar proibido. Não sabia que a urna emite áudio? Entenda aqui.
Contudo, Elizabete lembra que nem toda evolução do sistema é garantia de sucesso. “Ás vezes, acontece de você desenvolver um sistema que é seguro e, ao fazer uma melhoria, sem querer, você insere um erro. O sistema está sempre evoluindo e nem sempre evolui para melhor.”, aponta.
Formado por três integrantes com família de origem oriental, o grupo que criou a urna eletrônica foi apelidado de “os 5 ninjas”. Osvaldo Catsumi é um deles e se considera otimista em relação a uma nova geração de “ninjas” que estão contribuindo para o aprimoramento do processo.
Fonte:http://www.ebc.com.br/
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