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sábado, 14 de junho de 2014
DESLIZAMENTO DE TERRA EM MÃE LUÍZA PROVOCADO PELA CHUVA GERA INTERDIÇÃO DA VIA COSTEIRA POR TEMPO INDETERMINADO
Um deslizamento de terra no morro de Mãe Luíza provocou a interdição de trecho da avenida governador Silvio Pedrosa, em Areia Preta. Por volta das 14h30 de ontem, após uma manhã inteira de chuva intensa que atingiu Natal, cinco veículos foram atingidos e ficaram presos por uma enxurrada de lama que desceu na via logo após a chuva provocar o desmoronamento da escada que ligava a praia ao morro. Ninguém se machucou.
O trecho – do relógio de sol da Caern até depois do prédio residencial Infinity - ficou interditado mesmo após a limpeza, pois será feita uma análise de como ficou a parte subterrânea da avenida. O síndico do prédio Aldebaran, o empresário Marino Eugênio, disse que o problema no local é antigo e deslocamentos de areia já aconteceu em outros dias chuvosos. Ele contou que, ontem, a água já caia pelas escadas desde as 6h. “Vi o problema e liguei para a Caern, mas não fui atendido. O volume de água já era enorme”, contou ele, que por volta das 19h acompanhava o trabalho final dos tratores para a remoção de areia.
O empresário diz ser comum, quando acontece esse tipo de problema, instâncias do poder público ficarem atribuindo a responsabilidade sobre os serviços a outro órgão.
No caso, a Defesa Civil (municipal) informa que quem deve lidar com o problema é a Caern e vice-versa. Como é morador de um prédio que fica no trecho interditado, Eugênio ganhou uma autorização especial do município para se deslocar até a sua residência.
A causa do deslizamento, de acordo com a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semdes), foi o aumento da pressão nas galerias pluviais, em virtude de ligações de esgoto irregulares. Uma cratera foi aberta na avenida Guanabara, uma das principais de Mãe Luíza, no ponto onde a tubulação rompeu. “A partir dali a água saiu levando a areia que sustenta as calçadas. Nossa maior preocupação agora é a preservação das vidas humanas e, se for o caso, fazer uma remoção de pessoas”, disse o diretor do Departamento de Defesa Civil, Eugênio Soares.
No local, muitos moradores do bairro faziam uma relação entre a abertura da cratera e os gastos públicos com a Copa do Mundo. “Gastaram todo o dinheiro com a Copa e a cidade fica se destruindo”, disse o autônomo Manoel de Souza Santos. O aposentado Waldemar Ferreira lembrou de um deslizamento de terra semelhante acontecido há cerca de anos. “Naquela época, a chuva quebrou a via até o pé das casas. Consertaram, mas colocaram galerias mais estreitas e eu acho que assim fica mais difícil da água escoar”, disse Ferreira.
Para remover a areia da avenida governador Silvio Pedrosa foram usados dois tratores da Urbana e um mais potente do Exército, além de garis que auxiliaram no trabalho manual. A areia foi lançada para a própria praia de Areia Preta, já conhecida pela água de qualidade imprópria para o banho. A enxurrada deixou uma imensa mancha marrom no mar.
Os agentes da Defesa Civil atentaram para o risco de desabamento de casas na avenida Guanabara e tentavam no início da noite remover as famílias mais expostas ao perigo. A esposa do militar Ronaldo Soares foi uma das pessoas que tomaram um susto quando a areia cedeu. Ela vinha dirigindo quando o trânsito ficou mais lento e a terra começou a avançar na avenida. “Ela não teve como sair do local por causa da fila de carros. Foi resgatada pela janela com a minha filha. Ainda bem que as duas não sofreram nada”, contou o militar, que observava os trabalhos da Defesa Civil e aguardava a retirada do carro preso nos entulhos, um Volkswagen Fox, pela seguradora.
Fonte:http://www.novojornal.jor.br/
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